Quando todas as suas experiências, mesmo as ruins, passam a fazer sentido

Quantas e quantas vezes fui chorar escondida no banheiro por sua causa. Fiquei calada ou fingi levar na brincadeira enquanto você me tratava com total descaso. Eu levantava pela manhã contando os dias que faltavam para sexta-feira, e ao longo do dia, contando as horas para poder ir embora. Tinha medo de você e realmente cheguei a acreditar que eu era tudo aquilo de ruim que você dizia a meu respeito. Você sabia que o mundo dá voltas?

Lógico que sabia. Todo mundo sabe. Talvez você só não tenha se dado conta disso ainda. Mas enfim, não estou aqui para lhe dizer isso. É que sem saber você me ensinou uma coisa muito importante.

Enquanto o mundo não completa sua merecida volta, algumas pessoas estão se fortalecendo, outras enfraquecendo. É uma movimentação natural, que depende da nossa preparação e pré-disposição à mudança, mas só é desencadeada quando somos tirados da nossa zona de conforto. Quando ocorre o choque de identidade.

E por mais desgraçados que possamos nos sentir no momento da ruptura, por incrível e mais absurdo que possa parecer, só o desafio de ser colocado à prova da própria competência é tão enriquecedor, que logo se percebe aqueles que não o vivenciaram e o quão atrasados parecem estar em situações básicas de um protocolo implícito, mas quase que óbvio, do ambiente de trabalho, seja por questões de convivência, hierarquia, função, entre outros.

 

E foi pensando nisso que descobri que o que falta na vida desses bananas que a gente encontra pelo mercado são pessoas como você. Porque ser um banana não é uma somatória de características, mas simplesmente a falta delas.

Depois de superar o trauma da sua passagem pela minha vida profissional, percebi que seu senso de urgência estúpido melhorou e muito minha capacidade de raciocínio, sua incompetência operacional acelerou meu aprendizado e sua insensibilidade com o sentimento das pessoas me fez desenvolver uma das habilidades que mais utilizo diariamente, o jogo de cintura.

Então é por isso tudo que eu estou aqui para lhe agradecer.

Um mundo sem chefes incompetentes é altamente nocivo para saúde do mercado de trabalho.

 

Sobre o autor

Beatriz Carvalho

Beatriz Carvalho é formada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas, escreve sobre carreira e geração Y há 7 anos e atualmente é consultora de gestão na TOTVS Consulting. Gosta de transformar todas as suas experiências marcantes em textos, pois acredita no poder da transformação através da transferência de conhecimento.

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